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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Passarola 

A primeira aeronave conhecida no mundo a efectuar um voo foi baptizada de Passarola, e antecede 74 anos o famoso balão dos Montgolfier. A Passarola era um aeróstato, cujas características técnicas não são actualmente conhecidas na totalidade, inventado por Bartolomeu de Gusmão, padre e cientista português nascido no Brasil colônia, tendo voado no ano de 1709.

História

Bartolomeu de Gusmão era um padre jesuíta nascido em Santos, no então território português do Brasil que, depois de se matricular na Universidade de Coimbra em 1705, começou aí a desenvolver dois dos seus interesses de há muito, a Matemática e a Física. Segundo se sabe, a observação de uma bola de sabão a subir no ar, inspirou-lhe a concepção de um balão e o desenvolvimento de estudos na área da aerostação.
Na sequência dos seus estudos em aerostação, no ano de 1708, Bartolomeu de Gusmão pede ao Rei de Portugal, D. João V, uma petição de privilégio para o que chamou o seu instrumento de andar pelo ar. Em 19 de Abril de 1709, por Alvará é-lhe concedido esse privilégio. Além do privilégio, D. João V decide passar a financiar o projecto de desenvolvimento e construção do aparelho. Bartolomeu de Gusmão dedica-se então por inteiro ao projecto, que é desenvolvido na Quinta do Duque de Aveiro em São Sebastião da Pedreira, em Lisboa.
Alguns meses depois, em 8 de Agosto de 1709, perante uma importante assistência presente na Sala dos Embaixadores da Casa da Índia que incluía o Rei, a Rainha, o Núncio Apostólico (Cardeal Conti, mais tarde Papa Inocêncio XIII), bem como outros importantes elementos do Corpo Diplomático e da Corte Portuguesa, Bartolomeu de Gusmão fez voar um balão aquecido a ar, que subiu até ao tecto da sala.
Depois da espectacular demonstração, Bartolomeu de Gusmão inicia o desenvolvimento de uma versão tripulada e maior do seu balão. Esse desenvolvimento vem culminar num balão de enormes dimensões baptizado de Passarola. O enorme balão é lançado da Praça de Armas do Castelo de S. Jorge em Lisboa, tripulado provavelmente pelo seu próprio inventor, e faz uma viagem de cerca de 1 km, vindo aterrar no Terreiro do Paço.
Com a Passarola de sua invenção, Bartolomeu de Gusmão torna-se assim num dos mais importantes pioneiros da aeronáutica mundial, ficando conhecido como "o Padre Voador".
Este acontecimento está descrito no romance do português José Saramago, Memorial do Convento.

Características da Passarola

Apesar de existirem desenhos e descrições da época, não se sabe hoje em dia quais as exactas características técnicas da Passarola, devido à perda dos projectos e documentos originais e ao desconhecimento dos autores da época em questões de ciência aeronáutica. O desenho mais conhecido da passarola não deve passar de uma especulação, feita por um autor que nunca observou o aparelho original e que tentou reproduzi-lo como um navio voador.
Sabe-se apenas que a Passarola era um aeróstato aquecido a ar quente, aquecimento esse que era produzido através de uma fonte de ignição instalada numa barca sob o aparelho. Tecnicamente a passarola devia ter as características dos actuais balões de ar quente.

 

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